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Personagem da semana: Léon Levavasseur

04/04/2013
Léon Levavasseur

Léon Levavasseur

 

Todo fã de carros que se preze tem uma queda especial pelos esportivos, especialmente os equipados com motores V8. Alguns amam o torque abundante e outros veneram o inconfundível som borbulhante. É inegável que motores com esta configuração despertam mais atenção daqueles que gostam de um bom carro.

O personagem de hoje deveria ser elevado ao mais alto grau de idolatria pelos automaníacos puristas, pois ele inventou o tão amado motor V8. Léon Levavasseur era inventor, projetista de aviões e engenheiro de motores. Começou sua vida de estudante nas artes, mas logo surgiu o interesse pela engenharia, especialmente por motores à gasolina. Boa motivação para quem pensa em mudar de área, já que é difícil imaginar nossas vidas sem um V8.

Sua carreira como engenheiro começou na empresa francesa de motores Antoinette, que Léon ajudou a fundar em 1902. Nesse mesmo ano, ele patenteou o primeiro motor V8 da história. Seu argumento com esta configuração era uma necessidade cada vez maior de motores potentes e pequenos para impulsionar aviões. Em 1904, os motores de sua empresa equiparam inúmeros barcos de corrida vencedores. Seus projetos foram bastante variados, com as configurações dos propulsores chegando a 32 cilindros.

 

Motor V8 da Antoinette equipando um avião

Motor V8 da Antoinette equipando um avião da época

 

Ainda trabalhando na Antoinette, Levavasseur recebeu o pedido de um motor de alguém bastante familiar aos brasileiros: Santos Dumont. Depois de ver os barcos equipados com os motores incríveis do francês, o nosso “pai da aviação” decidiu usar um desses propulsores para sua própria tentativa de alçar vôo. O motor usado era um V8 (claro!) com 50 cv e apenas 86kg, incluindo a água do radiador. Essa relação peso/potência foi imbatível durante 25 anos e todos nós sabemos o que aconteceu com o famoso avião 14-bis.

Depois de deixar a sua empresa, Léon continuou trabalhando como inventor e engenheiro na área da aviação, ganhando até prêmios por suas criações. Mas como nem tudo é justo no mundo, ele morreu pobre em 1922. O motor V8 certamente é sua invenção mais famosa, mas não foi a única de grande importância. É dele também o sistema de resfriamento de motores com o uso de um radiador e a injeção direta de combustível. O primeiro é usado por praticamente todos os automóveis do mundo atualmente e o segundo sistema ainda é considerado inovador, sendo usado por alguns carros modernos, como Mercedes e Porsches. É incrível imaginar que as invenções de Léon Levavasseur com mais de 100 anos de criação continuam sendo usadas de forma muito ampla hoje em dia!

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Clássico da semana: Land Rover

02/04/2013
Land Rover Series I

Land Rover Series I

 

A marca Land Rover é sinônimo de luxo, refinamento e qualidade. Mas acima de todos esses atributos, está uma característica que acompanha a marca desde o começo: a robustez. O couro e os equipamentos de conforto que inundam o interior destes SUVs ingleses atualmente só são bem vindos por que a valentia deles no fora de estrada nunca foi esquecida. Essa famosa valentia foi apresentada em 1948, no Land Rover Series I.

O modelo, claramente inspirado no Jeep Willys, foi pensado inicialmente para o uso rural e industrial leve. Os principais diferenciais em relação ao modelo que o inspirou eram o interior menos espartano e uma utilização mais ampla. Uma das metas na fabricação era utilizar o máximo de peças dos carros da Rover, já que a carroceria era basicamente reta, com curvas simples nas extremidades, reduzindo bastante o custo da produção.

 

Land Rover Series I

Land Rover Series I

 

O Series I tinha um motor 1.6 a gasolina com apenas 50 cv, mas era suficiente para a proposta do pequeno carro, com apenas 2 metros de entre eixos e transmissão de quatro marchas. A tração era nas quatro rodas, proporcionando uma capacidade notável de transpor obstáculos. Apesar do maior refinamento em relação ao Jeep, o carro era extremamente básico. As partes superiores das portas e o teto (de metal ou tecido) eram opcionais. Os painéis da carroceria eram rústicos e sem muito refinamento estético, mas eram feitos de alumínio, ajudando na redução do peso final do veículo.

Apenas 3 anos após o lançamento do Series I, ele já vendia o dobro de unidades dos carros da Rover. Tinha mecânica praticamente inquebrável, funcionalidade excelente e estava anos luz à frente dos rivais. Na época, o carro foi usado pela polícia, pelo governo e pelos militares, no Reino Unido e em várias partes do mundo. Assim a Land Rover ganhou a fama de robustez que tem até hoje.

 

O homem de gelo é muito mais engraçado do que você pensa!

22/03/2013

Kimi Raikkonen é o piloto favorito de muita gente. Sim, ele é muito rápido e já foi campeão mundial de Fórmula 1. Mas ninguém possui a arte de não se importar com nada como ele. Kimi foge completamente do estereótipo do piloto político, que topa entrevistas, é simpático com repórteres e se preocupa com sua imagem e em como é visto pelas outras pessoas. Raikkonen não se importa e ele sempre vai dizer isso. Suas respostas são as mais engraçadas.

O piloto finlandês lidera o mundial de pilotos da Fórmula 1 depois da primeira etapa na Austrália. As expectativas para o campeonato são grandes, inclusive para um possível segundo título de Raikkonen. Ele vai continuar sem se importar! Confiram alguns momentos hilários do autêntico finlandês.

 

 

 

 

Personagem da semana: Dick Vigarista

21/03/2013
Dick Vigarista

Dick Vigarista

 

Para quem acha que o blog é muito sério, está ai o personagem desta semana pra mudar tudo. Pelo menos por hoje não há nada de sério, até por que o tema central deste post é uma figura que não existe na vida real. Mas chega perto disso pra muita gente que acompanhou ou acompanha ainda o desenho Corrida Maluca (o nome original em inglês é wacky races).

Seus criadores arranjaram até um nome pomposo: Richard Molhous Dastardly. Além disso, ele conta com seu cachorro e fiel escudeiro Muttley e uma personalidade sempre maldosa. O Dick Vigarista teve como base para sua criação o ator inglês Terry-Thomas e o Professor Fate, um vilão engraçado do filme The Great Race.

Apesar de ter estrelado vários desenhos, suas aparições mais memoráveis sempre aconteceram na Corrida Maluca. É fácil saber que ele é o vilão da história, pois é magro e alto, tem um bigodinho fino e um sorriso macabro. Usa um sobretudo roxo, luvas e chapéu com detalhes vermelhos e botas pretas. No auge das trapalhadas, ele sempre grita “Muttley, faça alguma coisa!”

 

Dick Vigarista com Muttley

Dick Vigarista com Muttley

 

Mean Machine

Mean Machine

 

Seu carro, o Mean Machine, tem o motor de um foguete, várias armas e é capaz de voar. Dick Vigarista sempre faz vários planos maléficos para prejudicar os outros pilotos da prova e se dar bem no final. Mas ele nunca ganhou uma corrida, pois tudo sempre da errado. Na verdade, foram poucas as vezes que ele conseguiu terminar uma prova. Apenas 5 vezes, para ser mais exato: 3 cruzando em último lugar, 1 vez em penúltimo e 1 em primeiro, mas sendo desclassificado logo depois. Se ele se preocupasse apenas em correr, certamente ganharia sempre, pois seu carro é o mais rápido.

Criado por William Hanna e Joseph Barbera em 1968, Dick Vigarista ainda faz sucesso com crianças e adultos, sempre com a risadinha do Muttley ao fundo. Com 45 anos de idade e ainda na ativa, já podemos até considerá-lo como um personagem da vida real. Já teve até piloto da Fórmula 1 sendo apelidado de Dick Vigarista, alguém lembra qual foi?

 

Visita ao museu, sem sair de casa.

20/03/2013
Museu da Mazda

Museu da Mazda

 

Qua tal visitar o museu da Mazda no Japão sem gastar nada? Parace improvável, mas a equipe do Google Maps, junto com a montadora japonesa, deu uma ajudinha pra quem gosta de carros. O passeio é gratuito e você não precisa nem levantar da cadeira. É claro que conhecer o museu pessoalmente representaria uma experiência muito mais empolgante, mas enquanto este dia não chega, clique aqui e faça um tour pelo museu.

Clássico da semana: TVR Griffith

19/03/2013

 

O TVR Griffith representou, na época de seu lançamento, uma renovação para a marca inglesa. A partir desse momento, ela passou a ser reconhecida por combinar um estilo ousado e inconfundível com alta performance. Nos primórdios da montadora, em 1954, a produção era de modelos especiais feitos em fibra de vidro que usavam diversos motores, tais como Ford, Conventry Climax e BMC. Depois de passar pelas mãos de vários donos, a TVR foi adquirida por Peter Wheeler em 1982, um executivo do ramo petrolífero que sempre teve um lado artístico.

De forma incomum, Wheleer sempre esculpia suas criações a partir de blocos de poliestireno e o Griffith representou a sua primeira expressão para o mundo exterior. Apresentado em 1990, o conversível de dois lugares tinha origens mecânicas no modelo S de 1986. Mas no resultado final, ele tinha o chassi baseado no S3 e o motor Rover 3.9 litros V8 do 420 conversível. Sua performance fazia jus ao visual. Tinha velocidade máxima de 238 km/h e acelerava de 0 a 100 km/h em apenas 4,9 segundos.

 

 

O modelo teve uma boa aceitação na apresentação, mas sua produção só teria início 18 meses depois, no início de 1992. A TVR aproveitou o hiato para melhorar as especificações. O chassi do S3 foi substituído por um mais firme com suspensão independente nas quatro rodas e o motor teve a capacidade volumétrica aumentada para 4.2 litros. O desenho não sofreu nenhuma alteração, mas o acabamento e a montagem foram refinados.

O modelo de produção apresentava um desempenho ainda melhor, com uma velocidade máxima de 250 km/h. De meados de 1993 em diante, o motor passou a ter 5 litros, gerando 325 cv. O nome do carro passou a ser Griffith 500 e a aceleração de 0 a 100 km/h passou a ser feita em 4.1 segundos. Uma característica notável do carro sempre foi o som borbulhante do motor, exaltado pelos donos. Sua produção durou até 2002 e tanto o modelo como a marca deixam saudades. A TVR fechou as portas em 2012.

 

 

Personagem da semana: Wilson Fittipaldi

14/03/2013

 

Wilson Fittipaldi, também conhecido como Barão, faleceu esta semana aos 92 anos de idade. Durante praticamente toda sua vida, dedicou-se ao radialismo, ao automobilismo e, por que não, ao pioneirismo. Filho de imigrantes italianos, ele se interessou por carros e motos desde muito jovem e já no final da década de 1930 começou a trabalhar como locutor. Nesta época, acompanhou de perto a construção do autódromo de Interlagos, o mais famoso do Brasil. Foi uma obra bastante complicada, pois o local era de difícil acesso, como relata Wilson: “Pagava-se pedágio de mil e poucos réis para passar sobre uma ponte limítrofe à pista por que a estrada de acesso ao autódromo cortava um loteamento pertencente à companhia Auto-Estradas, construtora do circuito.”

Uma história passada em 1949 é um exemplo muito interessante de sua vontade de inovar. Ele queria viajar para a Itália para realizar a transmissão do GP de Bari, vencido por Chico Landi no ano anterior. Pensando em mais uma vitória do brasileiro na prova, conseguiu convencer o dono da emissora, que bancou a ideia de realizar a primeira transmissão ao vivo de uma prova realizada no exterior. Tudo deu certo até o dia da prova. A Radiotelevisione italiana não forneceu todos os cabos que havia prometido. A única opção foi fazer o trabalho assim mesmo, sem retorno no fone. Ele não ouvia São Paulo e não tinha como saber se a ligação tinha caído e se alguém o escutava do outro lado. Wilson fez 4 horas de prova sem parar. Chico Landi não venceu a prova e o Barão voltou apressado para o hotel, para saber se a transmissão tinha dado certo. Ao chegar na recepção, já havia um telegrama assinado por “Marechal da vitória” com os dizeres “Ótimo, Wilson, Parabéns”. Tinha dado certo!

 

 

O pioneirismo não parou por ai. Em 1950, Fittipaldi foi um dos fundadores da Confederação Brasileira de Automobilismo. Em 1956, ao lado de Eloy Gagliano, criou a mais tradicional prova de longa duração brasileira: as Mil Milhas. Mesmo com essa paixão pelo automobilismo, ele nunca impôs o mesmo gosto aos filhos, Wilson Jr. e Emerson. Mas foi inevitável, ambos já nasceram com a mesma paixão. E ela foi longe!

Os irmãos Fittipaldi, filhos do Barão, tornaram-se referência no mundo, chegaram à Fórmula 1 como pilotos e como donos de equipe. O patriarca era conhecido por narrar tudo com muita imparcialidade. Mas tudo tem limite! Já era veterano em transmissões de rádio quando narrou, emocionado, o primeiro título de Emerson (e do Brasil) na Fórmula 1, a categoria máxima do automobilismo mundial. Esse é um dos registros mais emocionantes da história dos pilotos brasileiros.

O Barão ainda viu o neto, Christian Fittipaldi pilotar na F1 e em várias outras categorias, assim como o bisneto Pietro. Depois de 92 anos de dedicação ao Brasil, ao automobilismo e à sua família, Wilson descansou. Um grande pioneiro que abriu as portas para tantas gerações de pilotos brasileiros, e fez tudo isso sem descuidar de sua família, que sempre o tratou com muito carinho e respeito. Seu exemplo continua nos Fittipaldi, tão queridos em todo o Brasil. Obrigado Barão, sua missão foi mais do que cumprida!