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Personagem da semana: José Carlos Pace

12/08/2011

Brasileiro nascido em 1944, se apaixonou por carros e automobilismo quando tinha apenas 5 anos de idade numa viagem à Itália, quando viu uma miniatura de Ferrari e disse: “Ainda vou voltar aqui, correndo com um carro destes”. O “Moco”, como era apelidado, começou a carreira de piloto no Brasil e deu um susto nos pais quando ouviram seu nome completo narrado em uma corrida de Interlagos, pois não sabiam das peripécias do filho.

 

José Carlos Pace

José Carlos Pace

 

Naquela época não existia muita preparação física e Pace que era gordinho e com 1,80 acabava não tendo resultados expressivos no kart, enquanto que seus “rivais” desde os tempos de carrinho de rolimã, Emerson e Wilson Fittipaldi , apareciam vencendo várias corridas. Ele não pensava em correr nos automóveis, mas aconteceu o inesperado. Depois do lançamento da Berlineta Interlagos, derivada do Renault-Alpine francês, Anísio Campos, grande projetista de carros no Brasil, convidou Moco para estrear.

“Era gordinho, usava camisa listrada e marcou pela docilidade. Era só um teste, ele correria com aquele DKW numa prova de estreantes. Mandei que sentasse ao meu lado e baixei a bota. Dei algumas voltas e ele não disse nenhuma palavra. Ai, passei-lhe o volante. Sem medo, pegou a mão bem rápido, ficou à vontade, traçado perfeito, freava no limite. O garoto levava jeito. Era naturalmente rápido. Podia ficar bom, muito bom.” Conta Anísio. O bom desempenho chegou aos ouvidos de Luiz Antônio Greco, chefe da equipe Willys, que cedeu um Gordini preparado para Pace pilotar, deixando outros pilotos mais experientes com inveja.

Moco chegou em segundo numa prova para carros de até 850 cc. A prova seguinte era em Araruama, mas a equipe não tinha carros disponíveis para todos os pilotos, então José Carlos Pace decidiu correr com o seu carro de rua, um Willys Interlagos conversível. Greco emprestou um motor e a assistência de boxe e Pace venceu a prova de ponta a ponta. Depois disso ele venceu diversas provas sozinho e em parceira com Luiz Pereira Bueno nas corridas de longa duração. “O limite dele era muito alto e o Moco era muito arrojado. Era o supra-sumo do piloto. Que eu lembre, jamais me entregou o carro danificado nem quebrou sem justificativa. Era duro acompanhá-lo”, conta Bueno.

Chiquinho, que era integrante da equipe Willys dando suporte nos boxes relata: “Conheci o Moco quando trabalhei para a Willys, o Christian havia morrido e o Greco assumira. O Wilsinho era o melhor piloto do Brasil, mas já se falava muito no Moco. O Greco era fantástico, sabia garimpar os kartistas de melhor potencial e, com isso, renovou e rejuvenesceu nossas pistas. Ficou claro que ele era um talento nato, excepcional. Sem dúvida, vi muitos outros de perto, mas guiar como ele, quase não me lembro.” Questionado sobre a lenda que dizia que Pace era burro, Chiquinho disse: “Burro? Eu não diria isso! Era desligado, tinha um mundo dele, todo particular. Um dia eu estava almoçando em Fiorano, na Itália, casa da Ferrari, com o comendador Enzo Ferrari. Falávamos sobre o Jacky Ickx e ele fez um comentário que se encaixava perfeitamente no perfil do Moco. Ele disse ‘o Ickx é o maior piloto amador do mundo’. Era como eu via o Moco. Era um piloto supremo, mas que jamais seria o grande profissional como o Emerson ou o Jackie Stewart. O foco dele não era somente corridas de automóvel, como o dos outros. Para efeitos profissionais, podia ser um defeito, mas daí a ser burro…”

 

José Carlos Pace

José Carlos Pace

 

Greco, seu ex-chefe de equipe, dizia que o Moco era um extra-terrestre, termo que só foi usado para mais dois pilotos: Jim Clarck e Ayrton Senna. O jornalista Luis Carlos Secco relatou: “O Moco era completamente diferente do Emerson. Era uma emoção só, às vezes quase incontrolável. Sua personalidade era complicada, mas ele era afável, até dócil e gentil no trato. O europeus gostaram daquele estilo, que era novo, e ficou claro que iria parar na Fórmula 1, depois do título na Fórmula 3. Sempre que eu via o Ayrton Senna eu me lembrava dele. Tinham muito em comum, eram enebriados pela velocidade e extremamente habilidosos em qualquer carro. Só não aposto que ele seria também um campeão na Fórmula 1 devido a esta faceta emocional. Não sei se ele seria capaz de administrar as pressões que a disputa de um título na Fórmula 1 exige.”

Em 1971, correndo pela Fórmula 2, Pace já tinha sido sondado pelas equipes Williams, March, Surtees e Brabham. No ano seguinte participou do mundial de marcas à bordo de uma Ferrari, confirmando sua promessa feita aos cinco anos de idade e também foi contratado pela Williams. Em 1973 recebeu convite de Enzo Ferrari, para pilotar pela equipe em 1974 no fantástico modelo 312, mas recusou gentilmente em favor da amizade que tinha com Surtees. Mas os resultados ainda estavam abaixo do seu potencial e acabou aceitando um convite de Bernie Ecclestone, então chefe da Brabham. Os resultados melhoraram mas demorou para se adaptar ao carro, levando seus pensamentos para um lado mais místico. Seu capacete tinha o desenho de uma seta para baixo e seu falecido pai dizia que isso era um peso extra que ele carregava e deveria tirar. Na véspera do GP dos EUA em 1974, acordou da cama em um pulo, pegou uma lâmina de barbear e raspou as pontas da seta. Depois disso os ventos parecem melhorar de rumo.

Na terceira prova da temporada de 1975, em Interlagos, José Carlos Pace venceu seu único grande prêmio da carreira, com Emerson em segundo. Jornais da época estampavam na capa: “Correu como um campeão”. Foi o melhor ano de sua carreira, terminando o campeonato em sexto. 1976 foi um ano difícil, então seu patrão na Brabham resoveu investir nos motores de 12 cilindros para 1977 e Pace se mostrou um grande acertador de carros, terminando as corridas com seu automóvel em melhor estado do que seu companheiro de equipe Carlos Reutemann. Aquele ano parecia promissor e o Moco era visto como um dos favoritos ao título, mas o destino não permitiu.

No dia 18 de março de 1977, Pace voava com um avião monomotor durante uma chuva torrencial e caiu, perdendo a vida e entrando para a história como “o campeão mundial sem título”. Ele tinha as características dos futuros campeões como Piquet e Senna, tinha sangue nobre e alma de guerreiro. Em sua homenagem, o principal autódromo do Brasil, Interlagos, recebeu seu nome.

 

 

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2 Comentários leave one →
  1. 11/12/2013 09:47

    Obrigado pelos créditos meu amigo!
    Grande abraço e sucesso!!

Trackbacks

  1. Interlagos | Eu Tambem Quero Ir

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