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Personagem da semana: Nigel Mansell

12/01/2012
Nigel Mansell

Nigel Mansell

 

Hoje é o dia do bigode mais famoso que a Fórmula 1 já teve e também de um de seus pilotos mais incríveis. Mansell esteve na categoria máxima do automobilismo mundial entre 1982 e 1994, junto de grandes feras como Ayrton Senna, Nelson Piquet e Alain Prost. Foi uma época inesquecível da Fórmula 1 e quem teve o privilégio de assistir às corridas daquela época se lembra muito bem que o inglês foi responsável pelas situações mais inusitadas.

Nigel Ernest James Mansell nasceu em 1953 e teve um início de carreira lento, pois usava seu próprio dinheiro para participar de corridas. Depois de conseguir algum sucesso no kart, foi para a Fórmula Ford em 1976, contra a vontade de seu pai, e ganhou 6 das 9 corridas que disputou, incluindo a de estreia. No ano seguinte disputou 42 corridas e ganhou 33, se consagrando campeão inglês de Fórmula Ford, mesmo tendo sofrido um grave acidente que lesionou seu pescoço e quase o deixou tetraplégico. Nesta época, vendeu quase tudo o que tinha para bancar sua carreira, saiu do hospital antes de receber alta e teve a chance de participar de uma corrida de Fórmula 3 pilotando uma Lotus, chegando em 4º.

Nigel ficou lá de 1978 até 1980, sendo que em 1979 sofreu mais um grave acidente com Andrea de Cesaris e teve uma vértebra quebrada. Mesmo assim, seu talento foi percebido por Colin Chapman, dono da Lotus, que o chamou para ser piloto de testes da equipe de F1 em 1980. Em 1982, após a saída de Mario Andretti para a Alfa Romeo, Mansell foi elevado à condição de piloto, e ficou na equipe por 4 anos. Apesar de demonstrar talento, o carro não ajudava pela falta de confiabilidade, terminando apenas 24 das 59 corridas que disputou. Durante o ano de 1982, o inglês queria participar das 24h de Le Mans, mas Colin Chapman achou que seria um risco desnecessário, então pagou para que ele não participasse e ainda renovou seu contrato até o final de 1984. Acontecimentos como esse deixaram Chapman e Mansell muito próximos e a morte do dono da equipe ainda no mesmo ano deixou Nigel muito abalado.

No seu último ano na Lotus, conseguiu terminar o campeonato entre os top 10 pela primeira vez, mas mesmo assim ainda não era algo memorável, diferentemente do final da corrida de Dallas, quando Mansell desmaiou após empurrar o seu carro para cruzar a linha de chegada e conseguir 1 ponto pelo sexto lugar sob um calor de 40°. Essa era o Mansell de verdade.

 

Nigel Mansell com a Lotus em 1982

Nigel Mansell com a Lotus em 1982

 

Após problemas com o novo chefe da Lotus, Mansell assinou com a Williams em 1985. Agora, com um carro competitivo, especialmente do meio do ano em diante, ele conquistou suas duas primeiras vitórias na Fórmula 1 e se tornou um ídolo. No ano seguinte surge uma grande rivalidade com seu novo companheiro de equipe, o brasileiro Nelson Piquet. Após 5 vitórias no ano, Mansell foi vice-campeão, perdendo o título para Alain Prost na última prova após um pneu estourar a 19 voltas do fim. Em 1987, o título estava entre os dois pilotos da Williams e Mansell perdeu novamente a chance ao se acidentar no treino classificatório para o GP de Suzuka e lesionar a coluna, ficando de fora das duas últimas corridas e deixando o caminho aberto para o tricampeonato de Piquet. Em 1988 a Williams inovou com a sua complexa suspensão ativa, mas fez um carro nada confiável, que permitiu a Mansell terminar apenas 2 das 14 corridas que disputou naquele ano.

 

Nigel Mansell com a Williams em 1987

Nigel Mansell com a Williams em 1987

 

Nigel disputou as duas temporadas seguintes pela Ferrari, sendo o último piloto a ser selecionado por Enzo Ferrari, falecido em agosto de 1988. Nesse período, o inglês ganhou o apelido de “leão” pela inflamada torcida italiana, graças ao seu estilo agressivo de pilotagem. As temporadas na Ferrari não foram fáceis. Em 1989 o carro era pouco confiável, permitindo a Mansell um 4º lugar no campeonato. O ano seguinte foi pior ainda, pois o carro ainda tinha problemas mecânicos e seu companheiro de equipe era Alain Prost, que visivelmente recebia tratamento diferenciado dentro da equipe. Com isso, Nigel resolveu sair da Fórmula 1 no final do ano, mas não esperava receber a proposta tentadora de Frank Williams para voltar.

Nos anos de 1991 e 1992, Mansell teve um carro vencedor novamente e disputou o título nos dois anos que esteve na Williams. Em 1991 foi vice-campeão e Senna foi tricampeão após um começo avassalador enquanto a Williams ainda se acertava com seu novo câmbio. No ano seguinte foi impossível impedir Mansell, que tinha um carro quase perfeito, capaz de permitir ao inglês estar na pole position em 88% das corridas do ano (recorde até hoje).

Em 1993 Mansell foi para os EUA correr pela CART e realizou um feito incrível: foi campeão na sua temporada de estreia. Até hoje é o único piloto detentor dos dois títulos simulteneamente. Nigel chegou a retornar a F1 em 1994 pela Williams e 1995 pela McLaren, mas sem o mesmo sucesso e agressividade vistos anteriormente. Chegou a participar de corridas do Britânico de Turismo e em 2010 participou das 24h de Le Mans formando equipe com seus dois filhos, mas não terminaram a corrida.

Pilotos como Mansell fazem falta, especialmente na Fórmula 1 de hoje, burocrática e previsível demais. Nigel sabia que era melhor levar o carro ao limite, arriscando a sua vida e a do carro, e mostrar serviço, do que tentar garantir “pontos” para o campeonato. Esse era o Leão, fez muitas bobagens, maluquices e conquistou “apenas” 1 título, mas será sempre muito mais lembrado e respeitado do que os multi campeões do século 21.

 

 

 

 

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