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Personagem da semana: Wilson Fittipaldi

14/03/2013

 

Wilson Fittipaldi, também conhecido como Barão, faleceu esta semana aos 92 anos de idade. Durante praticamente toda sua vida, dedicou-se ao radialismo, ao automobilismo e, por que não, ao pioneirismo. Filho de imigrantes italianos, ele se interessou por carros e motos desde muito jovem e já no final da década de 1930 começou a trabalhar como locutor. Nesta época, acompanhou de perto a construção do autódromo de Interlagos, o mais famoso do Brasil. Foi uma obra bastante complicada, pois o local era de difícil acesso, como relata Wilson: “Pagava-se pedágio de mil e poucos réis para passar sobre uma ponte limítrofe à pista por que a estrada de acesso ao autódromo cortava um loteamento pertencente à companhia Auto-Estradas, construtora do circuito.”

Uma história passada em 1949 é um exemplo muito interessante de sua vontade de inovar. Ele queria viajar para a Itália para realizar a transmissão do GP de Bari, vencido por Chico Landi no ano anterior. Pensando em mais uma vitória do brasileiro na prova, conseguiu convencer o dono da emissora, que bancou a ideia de realizar a primeira transmissão ao vivo de uma prova realizada no exterior. Tudo deu certo até o dia da prova. A Radiotelevisione italiana não forneceu todos os cabos que havia prometido. A única opção foi fazer o trabalho assim mesmo, sem retorno no fone. Ele não ouvia São Paulo e não tinha como saber se a ligação tinha caído e se alguém o escutava do outro lado. Wilson fez 4 horas de prova sem parar. Chico Landi não venceu a prova e o Barão voltou apressado para o hotel, para saber se a transmissão tinha dado certo. Ao chegar na recepção, já havia um telegrama assinado por “Marechal da vitória” com os dizeres “Ótimo, Wilson, Parabéns”. Tinha dado certo!

 

 

O pioneirismo não parou por ai. Em 1950, Fittipaldi foi um dos fundadores da Confederação Brasileira de Automobilismo. Em 1956, ao lado de Eloy Gagliano, criou a mais tradicional prova de longa duração brasileira: as Mil Milhas. Mesmo com essa paixão pelo automobilismo, ele nunca impôs o mesmo gosto aos filhos, Wilson Jr. e Emerson. Mas foi inevitável, ambos já nasceram com a mesma paixão. E ela foi longe!

Os irmãos Fittipaldi, filhos do Barão, tornaram-se referência no mundo, chegaram à Fórmula 1 como pilotos e como donos de equipe. O patriarca era conhecido por narrar tudo com muita imparcialidade. Mas tudo tem limite! Já era veterano em transmissões de rádio quando narrou, emocionado, o primeiro título de Emerson (e do Brasil) na Fórmula 1, a categoria máxima do automobilismo mundial. Esse é um dos registros mais emocionantes da história dos pilotos brasileiros.

O Barão ainda viu o neto, Christian Fittipaldi pilotar na F1 e em várias outras categorias, assim como o bisneto Pietro. Depois de 92 anos de dedicação ao Brasil, ao automobilismo e à sua família, Wilson descansou. Um grande pioneiro que abriu as portas para tantas gerações de pilotos brasileiros, e fez tudo isso sem descuidar de sua família, que sempre o tratou com muito carinho e respeito. Seu exemplo continua nos Fittipaldi, tão queridos em todo o Brasil. Obrigado Barão, sua missão foi mais do que cumprida!

 

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