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Clássico da semana: Ferrari 225 Sport Berlinetta

12/03/2013
Ferrari 225 Sport Berlinetta

Ferrari 225 Sport Berlinetta

 

A maior parte dos últimos clássicos postados aqui no blog foi de carros estranhos, incomuns, desconhecidos ou feios. Mas hoje será diferente. Nada pode ser feio ou estranho em uma Ferrari Berlinetta dos anos 1950. Nada mesmo!

Esta máquina italiana não só foi uma das primeiras Berlinettas feitas pela marca, como está entre os primeiros carros de corrida fabricados pela hoje famosa fábrica de Maranello, que fabricou apenas carros de rua nos cinco anos anteriores. Naquela época, era difícil não associar a Ferrari às competições, que se tornou especialista em motores V12 de baixa cilindrada. Primeiro veio a 125S, com 1500 cc em seu V12, depois veio a 166MM e em seguida a 212. A 225 Sport veio em 1952, com um motor 2.7 litros, considerado até grande para os padrões da marca, e é considerado o elo entre os primórdios da marca e a legendária linhagem das 250.

 

Ferrari 225 Sport Berlinetta

Ferrari 225 Sport Berlinetta

 

A inovação mais importante que este modelo trouxe foi o chassi tuboscocca, que permitia a montagem dos painéis da carroceria sobre um “esqueleto”, o que ajudava na rigidez sem comprometer o baixo peso, fundamental para o sucesso do modelo nas corridas. Além de vencer o GP de Cuba de 1952, a 225 Sport Berlinetta conseguiu resultados expressivos em provas importantes como a Targa Florio, a Mille Miglia e outros GPs da década de 1950.

O fabuloso desenho da Ferrari foi feito pela Carrozzeria Vignale. Construídas à mão de forma artesanal, nenhum carro fabricado pela Vignale era igual a outro, e isso se confirmava nas 6 unidades da 225 Sport. Isso pode parecer falta de controle de qualidade atualmente, mas na verdade isso faz desse carro ainda mais especial, raro e desejado por colecionadores. Durante o projeto da Berlinetta, surgiu um novo talento das pranchetas, Giovanni Michelotti, que mais tarde ficou famoso por criar a grade frontal oval que caracterizou a Ferrari durante anos.

O que dizer de um clássico tão especial como esse. A Ferrari 225 Sport Berlinetta faz jus ao nome e à história da marca. Motor V12, carroceria curta e esportiva, desenho elegante e personalidade construída nas pistas. Com apenas 6 unidades construídas artesanalmente, é difícil achar algo melhor.

 

Alonso e Massa na Ferrari 458 (parte 2)

11/03/2013

Esse post é uma continuação do de sexta, com um novo vídeo de Alonso e Massa se divertindo em uma Ferrari 458. São os mesmos momentos, só que filmados de um ângulo diferente. Agora, quem mostra as imagens é uma câmera instalada atrás dos pilotos, mostrando a pista e toda a atuação de cada um ao volante. A tarefa de andar de lado com uma Ferrari parece bem simples para eles!

 

Alonso e Massa na Ferrari 458

08/03/2013

Muito divertido este vídeo da dupla de pilotos da Ferrari. Cada um pilota um pouco, levando o companheiro de “carona” com um clime bem descontraído, bem diferente da tensão que sempre acompanha os pilotos nos GPs. O ponto alto do vídeo é aos 3:27, quando Alonso muda a configuração do carro pelo manettino do voltante tentando atrapalhar a volta de Massa.

 

Personagem da semana: Jason Castriota

07/03/2013

 

Jason Castriota é um designer de carros parte italiano, parte americano. Parece uma frase do filme Robocop, mas garanto que ele é humano, apesar de seu trabalho incrível. Seu local de nascimento é Nova Iorque, mas sua experiência como projetista ganhou força no país com os mais belos carros do mundo: Itália.

Depois de se graduar em Boston, passou um tempo na Pininfarina, de onde veio grande parte de suas influências. Ao invés de retornar aos Estados Unidos, permaneceu lá até Novembro de 2008. Integrando a equipe de design do famoso estúdio italiano, Jason contribuiu para o projeto de alguns carros, como a Ferrari 599, os Maseratis Gran Turismo e o Birdcage 75th concept e o Rolls Royce Hyperion.

 

Maserati Gran Turismo

Maserati Gran Turismo

 

Como designer chefe de projetos especiais, trabalhou nos exemplares únicos da Ferrari P4/5 baseada na Enzo e da Ferrari 612 Kappa, ambas versões especiais feitas para colecionadores de carros. Em Dezembro de 2008, Castriota foi anunciado como o novo diretor de design da Bertone, outro grande nome do design automotivo. Nesse período, foi responsável pelo Bertone Mantide e pelo incrível desafiante do Bugatti Veyron, o SSC Tuatara.

 

Ferrari P4/5

Ferrari P4/5

 

Bertone Mantide

Bertone Mantide

 

SSC Tuatara

SSC Tuatara

 

Em Junho de 2010, Jason foi contratado como diretor de design pela marca sueca Saab. Ele seria o grande responsável pela reestruturação visual da montadora, que nos últimos anos passou por crises e diversos donos. Pouco tempo depois de apresentar o fantástico Saab Phoenix, a marca anunciou que encerraria suas atividades. Atualmente, Castriota tem escritórios de design em Turim e Nova Iorque, além de um belo portifólio!

 

Saab Phoenix Concept

Saab Phoenix Concept

Clássico da semana: Light Car Company Rocket

05/03/2013

 

Com a popularização dos track days, alguns carros voltados unicamente para diversão e prazer ao dirigir tornaram-se razoavelmente comuns hoje em dia, como é o caso do Ariel Atom e do KTM X-Bow. São brinquedos de gente grande e custam caro, mas proporcionam uma experiência única ao volante, quase como um monoposto de corrida.

Mas o que se vê nestes carros de hoje, nasceu há mais de 20 anos, com o LCC Rocket. Pelas mãos de Gordon Murray, o mesmo que criou o McLaren F1 e alguns bólidos vitoriosos da Fórmula 1, surgiu este levíssimo, rápido e nada convencional esportivo de motor central. Sua velocidade máxima de 233 km/h pode parecer pouco para os padrões atuais, mas pela posição de dirigir, a sensação era de muito mais. Apesar de parecer uma brincadeira feita no quintal de casa, o Rocket era um sério exercício do respeitado projetista.

Seu lançamento foi em 1991/1992, mas Murray já estudava o projeto muitos anos antes. Nessa época, ele e seu amigo piloto Chris Craft usaram um Lotus Seven como ponto de partida e adotaram um motor de 500cc vindo das motos. Para o carro final, foi escolhido um motor Yamaha de 1002 cc com 143 cv e cinco válvulas por cilindro. A caixa de marchas era sequencial de cinco velocidades e o diferencial era feito por Peter Weismann sob medida para o carro. Bom sinal, pois este homem era especialista em sistemas de transmissão para os carros de Indianápolis. Certa ocasião, ele preparou uma transmissão com 15 marchas para frente e 5 para trás. A revista britânica Autocar testou o modelo e o repórter Colin Goodwin alcançou 162 km/h de ré (!!!), numa pista aberta de um aeroporto.

 

 

O grande trunfo do projeto de Murray era o baixo peso, de apenas 352 kg. A responsabilidade pela produção do carro foi da Light Car Company, comandada por Bob Curl, que foi também o encarregado pelo desenho da carroceria, inspirado nos F1 Vanwall de fibra de vidro de 1957. O painel e os pára-lamas eram feitos de fibra de carbono. Originalmente concebido como um monoposto, a instalação de um assento extra era possível, desde que o dono pedisse. Mas colocar um passageiro extra em um carro com 352 kg de peso seria um sacrilégio, não é verdade?

Como consequência do ousado projeto, não existia nenhum tipo de equipamento voltado para o conforto. O banco era forrado de couro e um pequeno pára-brisas ajudava em altas velocidades, mas seria altamente recomendado dirigir o Rocket usando capacete. No início dos anos 1990, nada podia ser comparado a este carro em termos de experiência ao volante.

 

Personagem da semana: Hans Herrmann

28/02/2013
Hans Herrmann

Hans Herrmann

 

O talentoso alemão Hans Herrmann (onde mais poderia ter nascido com esse nome?) completou 85 anos de idade no último dia 23 de fevereiro e nossa homenagem não poderia faltar. Considerado por muitos como um dos pilotos mais consistentes de todos os tempos, venceu mais de 80 corridas ao longo de sua carreira.

Especialista em monopostos e corridas de longa duração, obteve sucesso em muitas provas desde que começou a pilotar, em 1952. Primeiramente, à bordo de seu próprio Porsche 356, participou de hill climbs, rallies de regularidade e velocidade. No ano seguinte, já começava a despontar, obtendo o quinto lugar no Lyon-Charbonnières Rally ao lado do co-piloto Richard von Frankenberg.

 

Hans Herrmann na Mille Miglia de 1954

Hans Herrmann na Mille Miglia de 1954

 

Coincidência ou não, a cidade de seu nascimento é a mesma onde surgiu a Porsche, montadora pela qual alcançou mais sucesso e destaque. Mille Miglia, Targa Florio, Carrera Panamericana e 24h de Le Mans. Todas estão em seu currículo invejável. Em 1953, o gerente da marca alemã chamou Hans para fazer parte da equipe oficial. Ao lado do co-piloto Helm Glockler com um Porsche 550 Coupé, alinhou pela primeira vez nas 24h de Le Mans e venceu na categoria para carros de até 1.5 litros.

Depois de assegurar também o título do campeonato alemão de carros esporte, Herrmann chamou a atenção da Mercedes, que o contratou para a equipe, que já dispunha de Karl Kling, Stirling Moss e Juan Manuel Fangio. Nada mal! Paralelamente, ele continuou correndo pela Porsche em 1954, vencendo a Mille Miglia e a Carrera Panamericana na sua categoria. Hans pilotou para diversas marcas até 1966, quando retornou para a Porsche. Não ganhou as 24h de Le Mans de 1969 por apenas 120 metros, mas no ano seguinte fez história. À bordo do fantástico 917, conseguiu a primeira vitória da marca na famosa corrida.

 

Hans Herrmann nas 24h de Le Mans em 1970

Hans Herrmann nas 24h de Le Mans em 1970

 

Hans Herrmann pilotando seu Mercedes 300 SL em uma corrida histórica, em 2012.

Hans Herrmann pilotando seu Mercedes 300 SL em uma corrida de carros clássicos, em 2012.

 

Ele chegou a participar de 19 corridas na Fórmula 1, conseguindo um pódio e 10 pontos conquistados. Mas sua longa carreira teve momentos mais interessantes, como o ato de loucura na Mille Miglia de 1954. Ao avistar um cruzamento de linha férrea se fechando com a aproximação de um trem, Hans só pensou na vitória (que de fato veio) e acelerou. Tanto ele como seu co-piloto abaixaram a cabeça para passarem por baixo da cancela e não perderem tempo nem se machucarem. Disseram que ele deveria ser muito sortudo, mas ele rebateu com classe, dizendo que “sorte, para um piloto de corridas, é ficar vivo.”

 

 

Clássico da semana: Citroën Ami

27/02/2013
Citroen Ami

Citroen Ami

 

No final dos anos 1950, a Citroën tinha uma lacuna em sua linha de produção, entre o moderno DS e o rústico 2CV. A solução adotada foi criar um novo carro baseado na mecânica do 2CV mas com uma carroceria totalmente nova, mais espaçosa, que teve intenções de lembrar a estética do revolucionário DS. No entanto, os designers falharam absurdamente, pois o Ami foi considerado um dos carros mais feios já criados.

A estranheza visual surgiu na tentativa de se traduzir uma linguagem estética mais formal, presente em outros tipos de carros. O DS tinha uma geometria baixa, aerodinâmica e opulenta. O Ami era desproporcional, alto, estreito e com visual utilitário. A janela traseira, que adicionou mais um elemento visual esquisito era, na verdade, necessária para proporcionar à cabine comprimento suficiente para que o carro fizesse parte da categoria dos médios.

 

Citroen Ami

Citroen Ami

 

Apesar de todas as estranhezas de seu desenho, o Ami parecia ter algo a mais. Em 1966 ele se tornou o carro Francês mais vendido, até por que ele não caiu no gosto de mais nenhum povo. Curiosamente, ele nunca recebeu o emblema da Citroën, talvez por que nenhuma outra montadora seria capaz de fabricar algo assim, ou por que a combinação de superfícies e linhas de seu desenho não deixaram espaço para que a marca fosse aplicada. No final da vida, o Ami recebeu o motor boxer de 4 cilindros do modelo seguinte, o GS, o que proporcionou a velocidade máxima de quase 160 km/h, assustadora para um carro com essa estrutura.

Analisando com mais cautela, são justamente as estranhezas do Ami que fazem dele um carro diferenciado e digno de admiração. É maravilhoso imaginar que em certas épocas a estética poderia variar tanto de um país para outro, sendo muito característica de acordo com o local de fabricação do automóvel. O Ami é um ótimo exemplo de que antigamente as empresas podiam se dar ao luxo de explorar amplamente a identidade visual local.